Everardo Gueiros: “A Eleição indireta para o Conselho Federal da Ordem é uma afronta a Democracia”

0

A entrevista de Everardo Gueiros ao Sindilegis, conduzida pelo presidente da entidade, Alison Souza, abordou um tema crucial e polêmico dentro da OAB e da sociedade brasileira: a defesa intransigente dos princípios democráticos, especialmente no que tange à necessidade de eleições diretas em todos os níveis de representação. Gueiros, com uma postura serena e firme, questiona a razão pela qual o Conselho Federal da OAB ainda persiste em realizar eleições indiretas, enquanto todas as seccionais e subseções do país elegem seus representantes de forma direta, pelo voto da advocacia.

Para Everardo, “não existe democracia pela metade”. A luta pelo fortalecimento da democracia dentro da Ordem deve ser total, abrangendo todos os âmbitos. A eleição direta para o Conselho Federal não é apenas uma questão de representatividade, mas de respeito à advocacia e aos seus princípios fundadores. Em sua visão, qualquer tentativa de manter o sistema indireto seria um retrocesso inadmissível, incompatível com a luta histórica da OAB pela liberdade, justiça e pela voz de todos os advogados e advogadas.

O fato de que as seccionais e subseções espalhadas pelo Brasil já contam com eleições diretas para seus representantes reforça a incoerência do modelo adotado pelo Conselho Federal. Gueiros destaca que, em uma democracia, o poder deve emanar diretamente do povo, ou, no caso da OAB, da própria classe que ela representa: “Todos os advogados e advogadas têm o direito de escolher diretamente quem os representa.”

A postura de Everardo Gueiros durante a entrevista, conduzida por Alison Souza, revela sua determinação em enfrentar os desafios e resistências que o projeto de eleições diretas para o Conselho Federal pode encontrar. Para ele, o modelo atual só persiste por interesses alheios ao verdadeiro espírito democrático que a Ordem deveria defender. “Manter uma estrutura que privilegia eleições indiretas é perpetuar uma hierarquia que não reflete os anseios da advocacia moderna”, enfatiza.

O discurso de Gueiros encontra eco em muitos profissionais do direito que defendem uma renovação dentro da OAB, tornando-a mais inclusiva e conectada com a base da advocacia brasileira. Ele deixa claro que essa é uma bandeira de sua campanha, e que, eleito, não medirá esforços para transformar essa realidade, promovendo uma Ordem mais democrática, participativa e transparente.

Ao final, Gueiros sintetiza seu compromisso com uma frase que ecoa não só dentro da OAB, mas também na sociedade: “Democracia não pode ser uma escolha. É um princípio. E princípios, ou os defendemos por completo, ou estamos traindo nossa própria essência.”