O deputado distrital Jorge Vianna (PSD) elevou o tom em entrevista ao radialista Estevão Damázio, da Rádio Metrópoles, ao resumir sua posição com uma frase que já repercute nos corredores da Câmara Legislativa: “Base aliada sim, base alienada nunca.”
Durante a conversa, o parlamentar pediu desculpas à população do Distrito Federal por ter votado favoravelmente ao projeto que autorizou a compra do Banco Master pelo BRB. No entanto, deixou claro que é contrário à venda de imóveis do patrimônio público do DF para cobrir uma possível dívida contraída pela instituição financeira junto ao mercado.
Segundo Jorge Vianna, o projeto enviado pelo Poder Executivo, com a lista de imóveis a serem alienados, carece de informações detalhadas sobre os reais impactos sociais e econômicos da medida. “Da forma como foi apresentado, não votarei. Precisamos saber exatamente quais serão os reflexos para a sociedade”, afirmou.
O deputado reconheceu que a Câmara Legislativa do Distrito Federal tem parcela de responsabilidade no processo, mas defendeu que o BRB também deveria se posicionar publicamente. Para ele, é necessário que a instituição venha a público prestar esclarecimentos sobre os prejuízos e as decisões que levaram à atual situação.
Uma das questões levantadas pelo parlamentar foi direta: se o banco apresentava lucros expressivos, por que esses recursos não foram revertidos em melhorias para áreas essenciais como saúde e educação? “Precisamos colocar uma lupa na forma de gestão que vinha sendo praticada”, destacou.
Líder da maioria na CLDF, Jorge Vianna afirmou que não aceitará uma votação apressada, sem o devido debate entre parlamentares e a sociedade civil. Ele defendeu que, na reunião de líderes, técnicos do Executivo e especialistas do sistema financeiro sejam ouvidos para esclarecer ponto a ponto os impactos do projeto.
O deputado também revelou que tem buscado apoio de técnicos e profissionais do mercado financeiro para compreender melhor os desdobramentos econômicos da operação, reforçando que sua posição será pautada pela responsabilidade e pela transparência.
A declaração sinaliza um momento de tensão entre a base governista e o Palácio do Buriti, indicando que a tramitação da proposta pode enfrentar resistência mesmo entre aliados.
