Distritais debatem mérito do projeto do GDF para aporte no Banco de Brasília
Parlamentares ocuparam a tribuna, durante sessão ordinária nesta terça-feira, e divergiram sobre a proposta enviada pelo GDF para reforçar o caixa do BRB
Deputados se revezaram na tribuna do plenário da Câmara Legislativa, nesta terça-feira (3), durante a discussão sobre o Projeto de Lei nº 2175/2026, que trata de medidas para o restabelecimento das condições econômico-financeiras do Banco de Brasília (BRB). Com emendas, o projeto de capitalização do BRB foi aprovado na CLDF.
As manifestações se dividiram a respeito do mérito da proposta enviada pelo Governo do Distrito Federal (GDF).
Líder do governo na CLDF, o deputado Hermeto (MDB) sustentou que era preciso votar a proposta para garantir a continuidade do BRB. “Os deputados distritais não levaram o BRB ao fundo do poço. Quem criou a situação que responda, quem comprou título podre que vá para a cadeia”, reforçou.
O líder do PT, deputado Chico Vigilante, por sua vez, afirmou que o “GDF é o único responsável pela situação de insolvência do Banco de Brasília”. Ele reiterou ser contrário ao projeto, que, segundo disse, “não salvará o BRB e ainda colocará em risco órgãos como a Caesb e a Novacap, que podem perder suas sedes”.
O líder do PL, deputado Roosevelt, defendeu a aprovação da proposta a fim de evitar que o BRB seja entregue a “particulares”. “Com os esclarecimentos prestados, me sinto seguro para votar”, disse, referindo-se à reunião realizada na segunda-feira (2) com o presidente do banco, Nelson Antônio de Souza. Para o distrital, o momento é “muito diferente” de quando a Casa apreciou a autorização para compra do banco Master, em 2025. “Hoje sabemos que era uma tentativa de maquiar uma operação fraudulenta, e os responsáveis devem ser punidos”, declarou.
O deputado Thiago Manzoni (PL) discordou do líder do partido e disse que o presidente do BRB não apresentou “um documento sequer” que comprovasse as informações repassadas na reunião com os distritais. “Sem a documentação, não sou obrigado a acreditar”, declarou. Segundo ele, a solução para o banco “quem tem que dar é quem criou o problema”.
Por sua vez, o líder do MDB, deputado Iolando, criticou o que classificou como “discurso político”, nas manifestações sobre a crise do BRB. Para ele, não é adequado relacionar o debate atual às discussões sobre a aprovação do projeto de compra do Master. “O discurso político tem que cair por terra. Não tem nada a ver um cenário com o outro”, afirmou.
Solidarizando-se com os trabalhadores do banco que ocupavam a galeria do plenário durante a votação, o vice-presidente da CLDF, Ricardo Vale (PT) classificou o momento como “difícil para os servidores e as instituições”. Na avaliação do deputado, “o projeto é uma mentira, que não resolverá a situação do banco e prejudicará outras empresas do DF”.
Gabriel Magno (PT), líder da minoria, complementou destacando a falta de documentos que comprovassem os dados apresentados pelo governo: “O próprio presidente do BRB disse que o projeto não vai salvar o banco, só o manterá em pé por mais algum tempo”.
Já na análise da deputada Paula Belmonte (PSDB), segunda vice-presidente da Casa, a aprovação do projeto do Executivo seria um “cheque em branco para o governador Ibaneis Rocha”. Ela cobrou o registro e a avaliação dos imóveis apresentados na proposta e a punição dos envolvidos no rombo do BRB.
Por outro lado, Fábio Felix (PSOL) considerou o projeto do Executivo “uma farsa política e uma maquiagem institucional”. Para ele, o PL 2175/2026 não contribuirá para recuperar o banco: “Estão buscando a salvação de uma agenda política e eleitoral de um governador e uma vice-governadora”.
