No Distrito Federal, uma situação inusitada — e reveladora — passou a dominar as conversas nos bastidores políticos às vésperas das eleições de 2026: em qual partido vale a pena se filiar? A pergunta, que antes era secundária, hoje se tornou o ponto central da estratégia de pré-candidatos que querem mais do que apenas “cumprir tabela” nas urnas.
A avaliação é pragmática. Cada vez mais, potenciais candidatos entendem que a escolha da legenda pode definir o destino de uma candidatura antes mesmo do início da campanha. O temor é claro: ser usado como escada eleitoral para eleger os “tubarões” do partido, sem qualquer chance real de vitória. Em um sistema proporcional, onde a soma de votos decide mandatos, errar a sigla pode significar trabalhar para eleger outros — e desaparecer politicamente.
*Base governista enfrenta rejeição e esvaziamento*
O problema se agrava nos partidos que integram a base do governo do DF. Essas legendas vêm enfrentando uma rejeição crescente nas ruas e, sobretudo, uma dificuldade concreta para montar nominatas competitivas. A resistência é visível, especialmente entre profissionais da saúde e da educação — dois setores estratégicos em qualquer disputa eleitoral.
Enfermeiros, técnicos, médicos e professores, que atuam diariamente em hospitais sucateados, unidades superlotadas, escolas sem estrutura e com falta de valorização profissional, demonstram pouco ou nenhum interesse em se associar a partidos que representam o atual projeto de poder. Nos bastidores, a pergunta que ecoa é direta e incômoda: por que esses setores essenciais não se sentem representados?
*Nominatas frágeis e o risco do fracasso eleitoral*
O reflexo dessa desconexão aparece na prática. Algumas legendas até concentram nomes fortes, figuras conhecidas e puxadores de voto. No entanto, faltam os chamados candidatos médios e pequenos, que são fundamentais para dar densidade eleitoral às chapas. Sem essa base capilarizada, o cálculo simplesmente não fecha.
Uma nominata sem diversidade, sem lastro social e sem representação real dos problemas cotidianos do DF vira uma estrutura artificial: pesada no topo, mas frágil na base. E, em eleições proporcionais, isso costuma cobrar um preço alto.
*Mais do que estratégia, um sintoma político*
O cenário expõe algo mais profundo do que uma simples dificuldade partidária. Ele revela um desgaste estrutural do projeto político dominante no Distrito Federal. Quando saúde e educação deixam de enxergar espaço, voz e respeito dentro de um campo político, o reflexo aparece diretamente na composição das chapas.
Não adianta discurso oficial, propaganda ou números frios. A ausência desses setores nas nominatas fala mais alto do que qualquer narrativa. E deixa um recado claro para 2026: sem representatividade real, não há força eleitoral que se sustente.

