O marketing do Governo do Distrito Federal insiste em vender uma sensação de segurança que, na prática, não se sustenta quando confrontada com os números reais das corporações. A propaganda é bem produzida, as imagens são cuidadosamente escolhidas e a narrativa oficial aponta para um cenário de controle e eficiência.
A vice-governadora Celina Leão aparece ao lado de autoridades em eventos e operações, reforçando o discurso de que a segurança pública está garantida. O problema é que, por trás das fotos e anúncios institucionais, existe uma realidade que precisa ser debatida com transparência.
A Polícia Militar do Distrito Federal, por exemplo, deveria contar, conforme estabelece a Lei 12.086, com um efetivo de 18.673 policiais. No entanto, atualmente possui cerca de 10.476 militares na ativa — um déficit significativo que impacta diretamente a capacidade operacional da corporação.
Desse total, aproximadamente 10% estão lotados em funções administrativas, responsáveis por manter a estrutura interna funcionando. Soma-se a isso um percentual de policiais afastados por tratamento de saúde ou por questões relacionadas ao serviço. Na prática, o número de agentes disponíveis nas ruas é ainda menor do que o apresentado oficialmente.
Enquanto o marketing destaca operações pontuais e ações estratégicas, a população precisa saber qual é o efetivo real empregado no policiamento ostensivo diário. Segurança pública não pode ser tratada apenas como peça publicitária. Exige planejamento, recomposição de efetivo, valorização profissional e transparência com a sociedade.
A pergunta que fica é simples: os números sustentam o discurso?
