A crise política dentro do MDB do Distrito Federal ganhou novos contornos e agora envolve diretamente a direção nacional do partido. Dois fatos ocorridos praticamente ao mesmo tempo revelam que o MDB-DF vive um dos momentos mais delicados de sua história recente, marcado por disputas internas, ameaça de intervenção nacional e divergências sobre o futuro da legenda nas eleições de 2026.
O primeiro movimento foi revelado em apuração exclusiva do jornalista Odir Ribeiro, da Rádio Corredor. Um documento encaminhado à Executiva Nacional do MDB pede que o comando nacional assuma as decisões eleitorais do partido no Distrito Federal.
Segundo o texto obtido pela Rádio Corredor, o pedido solicita a chamada “avocação” das competências do MDB-DF. Na prática, isso significa retirar da direção regional o poder de decidir sobre candidaturas ao Governo do Distrito Federal, Senado, Câmara Federal, Câmara Legislativa e alianças partidárias para 2026.
O documento argumenta que o MDB local atravessa um ambiente de instabilidade política e jurídica, provocado pelo agravamento das divergências internas envolvendo o grupo do ex-governador Ibaneis Rocha e a governadora Celina Leão.
O requerimento foi assinado pelo deputado federal Rafael Prudente e pelos deputados distritais João Hermeto, Daniel Donizet, Iolando Almeida e Jaqueline Silva, demonstrando que o movimento possui apoio relevante dentro da bancada emedebista.
Além da disputa interna, o documento também levanta preocupação com possíveis questionamentos jurídicos e risco de anulação de atos partidários caso o MDB chegue dividido ao período das convenções eleitorais.
Outro ponto que elevou ainda mais a tensão política foi a informação revelada pela Rádio Corredor de que setores influentes do MDB nacional discutem uma possível aproximação com o grupo político do ex-governador José Roberto Arruda.
Nos bastidores, interlocutores do partido afirmam que existe a avaliação de que o MDB precisa recuperar protagonismo no DF e deixar de ocupar posição secundária dentro da base da governadora Celina Leão. Entre as possibilidades discutidas estaria até uma composição majoritária com participação direta do MDB em uma chapa ligada ao grupo arrudista.
Se confirmada, essa articulação representaria um rompimento imediato entre MDB e Celina Leão.
O segundo fato que agravou a crise foi revelado em reportagem do jornalista Suzano Almeida, publicada pelo Jornal de Brasília. Segundo a matéria, parlamentares do MDB passaram o feriado de Corpus Christi articulando um verdadeiro motim político contra o presidente regional do partido, Wellington Luiz.
De acordo com integrantes da legenda ouvidos pelo Jornal de Brasília, existe insatisfação tanto no MDB local quanto em setores da direção nacional em relação à condução política de Wellington, especialmente por seu alinhamento à governadora Celina Leão.
A avaliação de parte dos emedebistas é que, após reunião entre Baleia Rossi, Ibaneis Rocha e lideranças do partido, o MDB deveria endurecer as negociações com o governo local para garantir mais espaço político na chapa de 2026.
O desgaste aumentou depois que Wellington Luiz reafirmou publicamente apoio à candidatura de Celina, mesmo após pressões internas para que o partido condicionasse esse apoio a uma participação mais robusta na composição majoritária.
Durante o feriado, chegou a ser discutida a elaboração de uma carta assinada por deputados distritais defendendo mudanças no comando do MDB-DF. A iniciativa, no entanto, perdeu força após resistência de parlamentares aliados de Wellington Luiz.
Nos bastidores, aliados do presidente regional afirmam que o movimento é estimulado pelo próprio Ibaneis Rocha, que buscaria ampliar o controle político sobre o partido e fortalecer o poder de negociação do MDB diante do grupo da governadora.
Apesar do clima de tensão, Wellington Luiz negou qualquer risco de racha interno e afirmou ao Jornal de Brasília que o MDB permanece unido para as eleições.
ANÁLISE POLÍTICA
Os dois episódios revelam algo maior do que uma simples disputa interna por comando partidário. O MDB-DF vive hoje um conflito estratégico sobre qual será seu papel na sucessão de 2026.
A apuração de Odir Ribeiro, da Rádio Corredor, mostra uma ofensiva institucional organizada para transferir o centro de poder do MDB-DF para a executiva nacional. Trata-se de um movimento mais profundo, que envolve estratégia eleitoral, alianças futuras e até eventual reconstrução política do partido no Distrito Federal.
Já a reportagem de Suzano Almeida, do Jornal de Brasília, revela o efeito político imediato dessa disputa: desgaste interno, ameaça de motim, pressão sobre Wellington Luiz e divisão explícita entre grupos que defendem caminhos diferentes para o MDB.
Enquanto Wellington Luiz trabalha para manter o partido alinhado ao projeto de reeleição de Celina Leão, setores ligados a Ibaneis Rocha e parte da executiva nacional parecem defender uma postura mais agressiva, com maior protagonismo eleitoral e liberdade para negociar novas alianças.
Outro ponto importante é que os dois textos convergem ao mostrar que Baleia Rossi se tornou peça-chave no futuro do MDB-DF. A executiva nacional aparece como árbitra da crise e pode definir os rumos da legenda no Distrito Federal.
A possível aproximação com o grupo de Arruda, citada nos bastidores pela Rádio Corredor, também muda completamente o cenário político. Caso avance, ela desmonta a atual lógica da base governista e cria um novo eixo eleitoral no Distrito Federal.
Na prática, o MDB inicia a construção de 2026 dividido entre dois projetos:
de um lado, permanecer aliado ao governo Celina Leão;
do outro, recuperar protagonismo próprio, mesmo que isso signifique romper alianças históricas.
O que antes parecia apenas tensão de bastidor agora virou documento oficial, articulação nacional e disputa aberta pelo controle político do MDB no Distrito Federal.

