Crise no PSD-DF: repasses desiguais do Fundo Eleitoral provocam racha em nominata e desidratação da campanha de Rogério Morro da Cruz

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ELEIÇÕES 2026 / BASTIDORES DO DF

Divulgação de levantamento do IGAPE e disparidade de verbas entre pré-candidatos acendem alerta no partido, que corre risco de dissolução da chapa proporcional no Distrito Federal

BRASÍLIA — O cenário político do Distrito Federal ganha contornos de forte tensão nos bastidores da corrida eleitoral para a Câmara Legislativa (CLDF). A mais recente pesquisa encomendada pela TV Atual/Record News ao Instituto Gazeta de Pesquisas (IGAPE), divulgada neste domingo (13 de setembro de 2026), revelou que a principal aposta do PSD no DF, o deputado distrital Rogério Morro da Cruz, aparece com apenas 0,7% das intenções de voto no levantamento espontâneo — resultado que acende um alerta sobre os riscos de o parlamentar não alcançar a reeleição em outubro.

O desempenho do parlamentar ocorre em meio a uma crise interna que ameaça a própria formação da nominata de candidatos a deputado distrital da legenda.

A revolta com o Fundo Eleitoral

O estopim para o descontentamento entre integrantes da chapa foi a disparidade na distribuição dos recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC).

Segundo informações que circulam nos bastidores do partido, enquanto a candidatura de Rogério Morro da Cruz, que apoia a atual governadora Celina Leão (PP) — principal adversária de Arruda —, teria recebido um aporte em torno de R$ 800 mil, a maioria dos demais postulantes à CLDF dentro da mesma chapa recebeu valores considerados modestos, entre R$ 20 mil e R$ 30 mil. Outros candidatos, segundo relatos, sequer teriam recebido recursos do Fundo Eleitoral.

A diferença nos repasses provocou insatisfação entre candidatos e integrantes da nominata, além de acusações de favorecimento nos bastidores do PSD.

Pré-candidatos reclamam que, com recursos reduzidos ou sem qualquer verba partidária, fica praticamente inviável manter uma estrutura mínima de campanha, produzir material gráfico e ampliar a presença nas ruas. Na avaliação de integrantes da chapa, o problema não atinge apenas candidaturas individuais, mas pode comprometer o desempenho coletivo do partido.

Risco de colapso da nominata

A crise ganha dimensão ainda maior diante das regras do sistema eleitoral proporcional. Para conquistar cadeiras na Câmara Legislativa, o partido precisa obter uma votação suficiente para alcançar o quociente eleitoral, calculado a partir dos votos válidos, além de disputar as vagas distribuídas pelas sobras.

Nesse cenário, a força da nominata é fundamental. Candidatos com votação expressiva não atuam isoladamente: os votos de todos os integrantes da chapa são somados para determinar o desempenho da legenda.

Por isso, a eventual debandada de candidatos, a paralisação de campanhas ou o enfraquecimento de nomes com potencial de votação pode comprometer o resultado coletivo do PSD.

O temor entre integrantes da legenda é que a crise financeira e política provoque um efeito dominó, reduzindo a capacidade da nominata de produzir os votos necessários para garantir cadeiras na CLDF.

Pressão sobre a direção partidária

A divulgação do levantamento do IGAPE aumentou a pressão sobre a direção regional do PSD. O resultado de 0,7% atribuído a Rogério Morro da Cruz, aliado à insatisfação com a distribuição dos recursos, expôs uma situação delicada para o partido na reta final da preparação eleitoral.

Nos bastidores, cresce a cobrança por uma revisão dos critérios utilizados para a distribuição do Fundo Eleitoral e por uma estratégia capaz de evitar o esvaziamento das candidaturas consideradas fundamentais para a composição da nominata.

O desafio da direção partidária, agora, é impedir que a disputa interna pelo dinheiro do Fundo Eleitoral se transforme em uma crise capaz de comprometer justamente aquilo que uma chapa proporcional mais precisa: votos, estrutura e unidade entre os candidatos.

Com a eleição se aproximando, a pergunta que começa a circular nos bastidores do PSD-DF é se a legenda conseguirá reorganizar sua nominata a tempo ou se a disputa interna pelo Fundo Eleitoral acabará produzindo um resultado eleitoral muito abaixo das expectativas.